Notas da África do Sul: Soweto e Museu do Apartheid

19.7.15 Rui Quinta 1 Comments

Durante o Apartheid, com a segregação a limitar as zonas que cada um podia habitar e frequentar em função da sua cor de pele, muitos negros e coloured foram expulsos do centro de Joanesburgo e confinados ao Soweto (South Western Townships). Quebrado o apartheid, hoje os negros podem circular por toda a parte e muitos são os que vão para os subúrbios do Norte de Joanesburgo (zonas mais caras) trabalhar mas permanecem a viver no Soweto por não terem condições de comprar uma casa numa zona mais próxima do local trabalho. Muitas casas estão isso sim restauradas.

Comummente conhecida como uma das zonas mais perigosas da área urbana de Joanesburgo, para visitar o Soweto é necessário um guia que saiba onde se pode ir e quais as zonas a evitar. Nessas condições, o Soweto é inclusive muito recomendável e totalmente seguro. Ali respira-se África.

A Mandela House é um ponto de paragem obrigatório, ainda que as expectativas não devam ser demasiado elevadas. A casa é isso mesmo, uma casa, à medida das casas do Soweto na época que Mandela ali viveu, muito pequena, e muitos objetos perderam-se nos vários ataques que sofreu durante o Apartheid. Vale a visita pelo simbolismo, mas a melhor exposição está no Museu do Apartheid.

Antes disso, passagem pelo Hector Pieterson Museum. Hector tinha 13 anos quando morreu baleado pela policia num protesto anti-apartheid. A comunidade negra protestava contra a implementação do afrikaans e inglês como únicas línguas lecionadas na escola, sendo o afrikaans visto como a língua da minoria que implementou o apartheid, e vista esta decisão como a morte das outras nove línguas faladas na África do Sul (onze oficiais). Ali sente-se história e a oposição ao apartheid.

Tanto a Casa Mandela quando o Museu Hector Pieterson são dois pontos de paragem muito frequente para turistas e por isso existem várias bancas de vendedores ambulantes nas imediações. Em ambos os pontos também me senti sempre seguro, inclusive com máquina fotográfica e iPhones à vista. São visitas que apenas se fazem com guia mas não notei razão para temores.

Depois, já à entrada de Joanesbugo, está o Apartheid Museum, imperdível. Na bilheteira é-nos dado aleatoriamente um bilhete white ou non-white, tão aleatório quanto a cor com que nascemos, entramos pela porta que a sorte nos reservou e a partir de então somos levados a uma viagem pela história de Joanesburgo e da segregação. A exposição temporária que está agora em exibição tem Nelson Mandela como tema, e entre exposição temporária e permanente passam-se duas horas muito enriquecedoras, que são capazes de causar repugnância mas também alívio quando chegamos a 1994.

As fotos não estão nada de especial, algumas por serem dentro de museu e atrás de vidro, outras por serem mesmo de telemóvel. Mas são o que são...
Casa Mandela
Rua no Soweto
Museu do Apartheid
Museu do Apartheid - Exposição temporária Nelson Mandela

Museu Hector Pieterson 
À entrada do Museu Hector Pieterson
Casa Mandela



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