Descobrir Table Mountain

29.9.16 Rui Quinta 4 Comments

Muito da beleza da Cidade do Cabo se deve à Table Mountain, maior destaque da sua silhueta desde todos os locais, emblemático pano de fundo para tantas fotografias e excelente local para tantas outras sobre a cidade. Mas mais do que isso, Table Mountain é uma exibição de natureza por entre trilhos imperdíveis.

Existe um teleférico que leva desde os 350 metros de altitude aos 1085m, e se quando criando em 1929 eram de madeira, com as melhorias pelas quais passou, hoje cada cabine do teleférico tem uma plataforma rotativa que permite aos utilizadores uma vista de 360º sobre a Mother City. Para muita gente é a melhor forma de subir ao topo da montanha, transportando cerca de 900.000 mil pessoas por ano, mas o que eu procurava era a experiência de descobrir a montanha pelos seus trilhos.

Subida

Existem muitas rotas para subir a Table Mountain, desde os seus vários lados. Sendo a montanha enorme, além dos trilhos desde a plataforma inferior do teleférico, existem trilhos desde o Parque Botânico Kirstenbosch a Sudeste, desde a zona mais rica Camps Bay a Oeste... ou de qualquer outro sítio. Sem ter uma rota escolhida, apenas disse ao motorista da Uber ao que ia e ele deixou-me no trilho que, segundo ele, era o mais popular. Ou, pelo menos, já tinha visto muitas pessoas subirem por lá.
Não me enganou. O Platteklip Gorge parece ser o segundo trilho mais utilizado, atrás apenas do trilho que se inicia junto à plataforma inferior teleférico. Mas se o outro é mais concorrido por ser o primeiro a ser encontrado, o Platteklip Gorge pareceu-me excelente, não só pela vista como também por não estar demasiado congestionado. E para quem vai de carro, tem dois pequenos parques no seu início.
São cerca de 3 km desde os 350m de altitude aos 1085m, na segunda metade por entre dois penhascos. O trilho, sobretudo no seu final mas também no começo é muito inclinado (apenas pelo meio tem uma fase não tão inclinada), mas é um trilho apto para qualquer pessoa. Isto é, consoante a condição física, podem ser necessárias mais paragens, mas nunca requer demasiada técnica nem apresenta um grau de dificuldade que seja impeditivo de continuar.
A segunda metade do percurso até lá cima é a mais impressionante. O trilho é quase sempre na mesma direção e sem vegetação muito alta ou muito densa, o que permite uma extraordinária vista do que ficou para trás, e à medida que subimos e olhamos para cima, parece impossível lá chegar, tal a imponência dos rochedos a diante.

Nessa fase final, estamos mesmo entre dois rochedos e numa zona muito húmida, inclusivamente com água a correr nalguns locais quando subi. Era quase final de inverno, o que na Cidade do Cabo corresponde à época de chuvas (ao contrário do que acontece nalgumas regiões do interior onde o inverno é seco e as chuvas ocorrem no verão).

Topo

Se durante a subida encontrei muito pouca gente, no topo encontrei uma pequena multidão. Sobretudo na zona do teleférico, claro. No final de conta, é essa a via de subida mais utilizada e Table Mountain está incluindo em qualquer roteiro da Cidade do Cabo, seja o roteiro de um pacote de viagens, um roteiro deixado num hotel ou passado numa simples conversa.

Além da vista, no topo existe dois restaurantes/cafés, casas de banho e esplanada. Ah!, e Wifi grátis e muitas tomadas para carregar telemóveis, disponíveis nos restaurantes.

Descida

Seriam necessários vários dias para explorar tudo o que vale a pena em Table Mountain, o que não me foi possível. Ainda assim, tentando aproveitar ao máximo, ainda fui até ao Echo Valley, no coração da montanha, e depois às reservas de água.
Nos cruzamentos dos vários trilhos existe um mapa bastante simples de compreender que assinala onde estamos e qual a estimativa de tempo necessário até cada um dos vários pontos de referência, além do tempo estimado até cada uma das saídas. O Echo Valley levou-me a uma experiência inesquecível mas também a uma alteração de planos. Querendo sempre ver mais, fui afastando-me do lado por onde tinha subido até que era tarde demais para descer pelo Platteklip Gorge.
Acabei por descer por Kasteelspoort, um trilho que vai ter a Camps Bay, e mais uma vez uma vista magnífica para o oceano, se bem que me parece que todas as vistas são magníficas na Cidade do Cabo, voltadas para o oceano ou para a montanha, e que tal elogio se poderá aplicar a qualquer um dos trilhos. Desta vez deparei-me com algum períodos de intenso nevoeiro, mas o tempo na Cidade do Cabo muda muito rapidamente e neste caso ainda bem, porque tão repentinamente veio como se foi embora.
Se o trilho de Platteklip Gorge é acessível a qualquer um, este de Kasteelspoort apresenta alguns trechos mais acidentados, que requerem mais cuidado. E no meu caso, ainda estava mais difícil, porque me enganei e quando dei por mim, em vez de estar a descer pelo trilho, estava numa cascata (seca), ou seja, a pico, obrigando-me a voltar atrás. Mas é como dizem, o que importa não é o destino, é a viagem.

No final, podia pedir mais - mais dias - mas não podia pedir melhor.


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4 comentários:

  1. Sempre que posso, passo por aqui para me inspirar. E sempre, sempre — invariavelmente — saio daqui com vontade de viajar! As tuas fotografias estão cada vez melhores, tão bonitas!, e só me apetece ir para aí!

    Um beijinho,
    Sara Cabido | Little Tiny Pieces of Me

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  2. Fiquei fascinada com a paisagem. Maravilhosa!

    Cátia ∫ MerakiFacebook

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  3. Impossível não ficarmos boquiabertos! Adorei *.*

    r: Muito obrigada

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