Subida a Lion's Head, Cidade do Cabo

3.9.16 Rui Quinta 0 Comments


Em 2015 estive, mais ou menos, na Table Mountain, local mais emblemático da Cidade do Cabo. Mais ou menos porque fui de carro até onde dava e, por idiotice, não percebi que era acessível subir até ao topo (também não vi ninguém a faze-lo).

Para este ano cabiam-me duas possibilidades: ou completar a Table Mountain, ou estrear-me na Lion's Head, segundo mais alto pico da Cidade do Cabo. Optei por essa opção, começando em Signal Hill. Afinal, já conhecia algo das vistas da Table Mountain.

Table Mountain não só é um dos ícones da Cidade do Cabo como tem o ponto mais alto da cidade, a 1085m de altitude. Impressionante considerando que o mal é logo ali. Já a Lion's Head, que também pertence ao Parque Natural Table Mountain, tem o seu ponto mais alto nos 669m, e o seu nome deve-se à semelhança que o pico tem com a cabeça de um leão.

Quando decidi começar a caminhada em Signal Hill, parecia uma boa ideia e coisa para aproximadamente 45 minutos. Realmente foi uma boa ideia porque a vista desde Signal Hill sobre a cidade é muito boa, mas quando cheguei ao início da subida para Lion's Head já tinha mais de 45 minutos de caminho. Com algumas paragens pelo meio para fotografar, é certo.

Comecei a aventura sem fazer grande ideia do que viria a encontrar, além de supor que a vista final seria boa. Limitei-me a seguir sempre pelo trilho que me parecia mais correto, ou seja, o que parecia ir mais próximo da direção do cume. E de Signal Hill até à base da Lion's Head apenas encontrei um grupo em visita guiada e talvez dois grupos de duas ou três pessoas cada.

O caminho é todo ele espetacular, sempre sobre a cidade, sem qualquer obstáculo pela frente, e quanto mais nos aproximamos, mais incrível parece. É pura rocha e parece que apenas nos aproximamos na horizontal, mas não subimos nada: cada vez parece mais a pique.
Se tivesse errado na previsão da duração mas fosse só isso, estava tranquilo. Mas nem as sapatilhas eram adequadas, nem as calças, estava calor, não havia qualquer sombra e eu de mochila ás costas. A partir do momento que comecei a cruzar-me com pessoas, percebi que havia três tipos: os locais, com equipamento desportivo; os turistas de países frios que andam sempre de calções; os outros de calças de jeans completamente despropositadas (como eu). E pelo meio, devido ao vento (e alguma falta de cuidado), o tripé caiu e a lente riscou-se bastante. Primeiro fiquei frustrado como nunca, depois de alguns testes não via problemas nas fotografias e passou um pouco, depois foi passando, porque não havia volta a dar - apenas em algumas das fotos tiradas em Lion's Head se notam os danos, mas noutros cenários, com outras iluminações, em céu azul por exemplo, nota-se demasiado e a lente já foi por isso substituída por uma nova.
Do pouco que tinha pesquisado, sabia que haveria que escalar alguma rocha, isto é, mesmo na vertical, com apoio que algumas pegas de aço, correntes ou escadas. Mas à medida que me aproximava sem subir e que via melhor o cume da rocha, comecei a pensar que não haveria caminho até lá cima.
Creio que as fotos permitem sentir o aproximar. E é aquilo lá em cima.

Apenas na segunda metade, depois de um cruzamento entre dois trilhos, comecei a encontrar mais pessoas, que vinham a descer. Mais tarde percebi porquê. O mais usual é começar a subir pelo lado sul, pois apesar da distância ser a mesma, é o parque de estacionamento mais seguro para deixar o carro e o primeiro para quem vem da cidade. Eu subi pelo lado norte (além do que já tinha andado antes de começar a subir) - no final os trilhos unem-se.
Os trilhos são sempre muito bons e limpos. Também são seguros. Isto é, se alguém se quiser atirar, não há nada a fazer, mas não existe nenhuma zona que seja perigosa por ser estreita ou insuficientemente sólida.
Na parte final, não se pode dizer que é propriamente fácil, obrigando a fazer um pouco de escalada, mas para isso há apoios de metal fixos nas rochas, correntes para auxiliar e escadas. Também por isso não é perigoso: porque tudo está pensado para ajudar. E é assim que, sim, se chega mesmo ao topo.
Mas nessa fase menos fácil, com algumas zonas onde só cabe uma pessoa de cada vez, existem alguns "engarrafamentos", sendo necessário esperar por alguém que demora mais tempo a subir ou algum grupo que vem a descer.
No final, espera-nos um sentimento estremecedor perante a vista. É algo de tremendamente poderoso. E como se não bastasse, era quase por do sol e o vento viria a trazer as nuvens para cobrir a cidade. O sítio mais esplêndido onde já estive.



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