Road Trip Namíbia (IV): o deserto!

2.4.17 Rui Quinta 2 Comments


Chegado a Sesriem e aí estava o melhor do Deserto do Namibe: as enormes dunas, o dead vlei e o Sesriem Canyon! As paisagens que me fizeram colocar a Namíbia na minha rota. O melhor dia da viagem estava aí!
Sesriem é uma pequena localidade às portas do deserto, talvez o ponto que se cruza em mais roteiros. Em Sesriem há muitos e variados alojamentos, dos simples campsites aos melhores lodges, postos de combustível, mercearias, restaurantes, cafetarias e a Sesriem Gate, a entrada para o que traz tanta gente, o Namib-Naukluft National Park. O parque que alberga a Dune 45, a Big Daddy, o Dead vlei, Sossusvlei e o Sesriem Canyon.
O primeiro que visitei foi o Sesriem Canyon, a cinco quilómetros da aldeia. Um canyon formado pela erosão provocada pelo rio Tsauchab, que raramente ali corre, ou não estivéssemos no deserto.

O canyon tem cerca de um quilómetro de extensão e uma profundidade máxima de 30m, tem alguns locais algo fotogénicos mas sejamos francos: não é o que arrasta as pessoas até tão longe de tudo. Também por isso o visitei em primeiro lugar - a partir daí estava livre para as dunas.
Cumprida a visita ao Sesriem Canyon, estava na hora de voltar à aldeia para um belo hambúrguer e reabastecer de água – afinal estava previsto passar algumas horas no deserto, incluindo a subida à Dune 45. O parque fechava às 19h30 e como o meu alojamento era fora, tinha que ir e voltar antes deste período.

De Sesriem à icónica Dune 45 são 45 km… bom, é fácil perceber a razão do nome. Mas são 45 km em alcatrão. Depois de tantas horas em gravilha para chegar à aldeia (vindos de Sul ou Norte), encontramos uma estrada espetacular pelo deserto a levar até a um dos locais mais emblemáticos. Não é a maior duna do deserto, mas a mais subida por turistas, por estar tão próxima da estrada.

Apesar de muitas fotografias na internet com grupos de turistas a subir em simultâneo, enquanto lá estive fomos sempre poucos, felizmente. E nem todos os visitantes que coincidiram comigo estiveram dispostos a subir a duna.
Pese o esforço físico que requer, no final a subida vale bem a pena. E é daquelas coisas que se fazem uma vez na vida. E para quem ficar alojado dentro do parque, sugiro que desfrute da vista ao nascer do dia ou no pôr-do-sol.

Do topo apenas se vê deserto e foi pelo deserto que fui á Namíbia!
Aproximadamente vinte quilómetros depois está outro dos símbolos da área do Namibe, o Dead vlei.

O Dead vlei é uma bacia de argila branca, hoje completamente seca, que outrora teve água e permitiu o crescimento de algumas árvores, entretanto mortas e parte de um cenário impactante. É crível que o vale esteja seco há 700 anos, o que lhe criou este aspeto de “vale da morte”, ainda que não seja esse o significado de “Dead vlei”.

Os últimos quatro quilómetros do caminho até ao Dead vlei têm que ser feitos num veículo 4x4 e, preferivelmente, num bom. Para isso há shuttles mas quando cheguei foi-me dada uma má notícia: o último já tinha saído. Dois motoristas que estavam ali há espera do regresso do seu grupo, disseram-me que teria que esperar pela manhã seguinte. Que golpe! Mas afinal não. Enquanto falávamos, chegou um shuttle que ia sair e me disse que, essa sim, seria a última viagem. Que sorte!
Durante a viagem, o motorista explicou-me que depois de me deixar, precisaria de caminhar 20 minutos até ao Dead vlei e, claro, outros tantos para voltar. Mas apenas quando me deixou me disse que voltaria às 16h30. Eram 15h55. Seria impossível eu caminhar 40 minutos e estar de regresso… em 35. Mas explicou-me que, andando rápido, poderia fazer o percurso em 15 e ele podia fazer o favor de adiar para as 16h40. Ok, parecia exequível.

Depois de caminhar, tão rápido quanto podia, pelas duas, o cenário era este. Espetacular!
De regresso ao local onde tinha sido deixado, não havia sinais do motorista. Quando comecei a avistar o parque, ainda antes do horário marcado, já só lá estavam dois jipes, os quais pertenciam a dois casais com os quais me tinha cruzado. Pelo menos, não estaria sozinho – apenas tinha que esperar. Eu e um órix que por ali andava à procura de algo que comer. Mas lá chegou o motorista. Afinal, tinha-se atrasado, mas cumprido a palavra.

E assim estava a terminar mais um dia, aquele em que ficaria no coração do deserto, num misto de casa com tenda, no Desert Camp. Um dia cheio de experiências inesquecíveis!

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2 comentários:

  1. Estou absolutamente fascinadas com as tuas fotografias! Nunca estive num local assim, deve ser mesmo incrível... Ainda bem que tudo deu certo com os motoristas! Como é a nível de calor?

    Mundo Indefinido

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    1. Sim, ainda bem Catarina :) Nestes dias o máximo era de 35º-37º +-, segundo a indicação do carro.

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