Road Trip Namíbia (V): Solitaire e Walvis Bay

8.4.17 Rui Quinta 4 Comments


Num misto de casa e tenda, o quarto dia começou para mim da forma mais leve possível, com o vento a entrar pelas frestas daquela espécie de janelas. Mas logo depois, um contratempo descoberto: um pneu furado.

Pneu trocado e o danificado rapidamente remendado em Sesriem, carro abastecido de gasolina, comida, água e red bull e estava pronto a seguir viagem. Mas seguiam-se 300 quilómetros de viagem ainda pelo deserto e não me apetecia nada ter outro furo. Sim, nunca apetece. Mas se até ali era um cenário no qual quase não pensava, depois do primeiro conduzi com especial precaução para tentar evitar qualquer pedra maior. Felizmente não voltou a acontecer.
A primeira paragem do dia seria em Solitaire, quase inevitável, tanto para quem vai como para quem vem de Sossusvlei. Localizada na interseção de duas das estradas mais movimentadas por turistas, apenas 80 km a norte de Sesriem, Solitaire tem a única bomba de combustível, oficina, mercearia, cafetaria e restaurante entre a aldeia e Walvis Bay e, ao que parece, também entre Sesriem e a capital Windhoek. Mesmo de tanque cheio, o cenário torna esta uma paragem quase inevitável. Até para provar aquela que gabam ser a "melhor tarte de maçã da Namíbia".

A aldeia já visitada de Kolmanskop apresenta um ambiente fantasmagórico natural, o que não acontece em Solitaire. Em Solitaire o cenário foi montado, mas de certa forma representa um receio que segue com muitos durante quase toda a viagem: que o carro não resista.

Mais adiante, na estrada C14, está a placa que indica o cruzamento (da linha imaginária) do Trópico de Capricórnio, e um outro cruzamento, esse muito mais real do rio Kuiser. Finalmente água na paisagem!
A norte de Sossusvlei a paisagem é muito mais montanhosa e requer muito mais atenção na condução, com inclinações muito acentuadas e muito mais curvas do que antes.
Em Walvis Bay, estava de regresso à costa, mas a cidade rapidamente se revelaria aquém das minhas expectativas. Por ter o único aeroporto internacional fora da capital, esperava Walvis Bay (lê-se Valvis) uma cidade muito mais dinâmica, mas fiquei de pé atrás quando no hotel me recomendaram os passeios de catamaram porque “apenas caminhando, não ficarás satisfeito”.

Depois de lá estar um pouco percebi que é sobretudo um local para férias de praia, com observação da vida animal. Passeios de catamaran ou de caiaque para observação de golfinhos e flamingos são as grandes atrações. Nada contra, mas não era o que procurava eu, saído de Portugal e do Algarve.
Pelo menos os flamingos foram uma novidade. Não com muita sorte, porque surgem sobretudo nos dias mais solarengos e o dia estava nublado. Mas algo novo e viajar também é sobretudo isso, procurar algo novo.
Ainda dei uma volta de carro à procura de algo mais interessante, mas sem sucesso. Pela positiva surpreendeu-me ver novas urbanizações, perto da costa, com boas vivendas de muros baixos. Pode parecer normal em Portugal. Mas na África do Sul qualquer vivenda tem que ter um muro muito alto, cerca elétrica ou arame farado e, como bónus, cão de guarda. Ver que em Walvis Bay tudo isso era trocado por pequenos muros, possíveis de saltar por quem se esquecer da chave em casa, é um enorme sinal de segurança.
Há sempre algo bom. E o dia seguinte voltaria a ser cheio de coisas boas.

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4 comentários:

  1. Adorei as fotos, estão excelentes!
    Gosto sempre das viagens que leio por aqui

    r: Muito obrigada :)

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  2. r: Apesar de ser uma medricas de primeira, a verdade é que me fascinam um bocado! Não sei se algum dia serei capaz de fazer qualquer uma daquelas atividades, mas adorava :D

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  3. Depois de termos um furo, ficamos sempre a pensar se iremos ter o próximo! Já me aconteceu duas vezes (não comigo a conduzir): ter o primeiro furo, substituir o pneu e pouco tempo depois ter o segundo. Na realidade, os 4 pneus estavam a precisar de ser trocados, é normal que cheguem ao final de vida +/- ao mesmo tempo. Chegaste a provar a "melhor tarte de maçã da Namíbia"? Fiquei com vontade de saber se seria mesmo a melhor, mas para isso teria de provar todas, não é? E essas paisagens! Adoro adoro as cores! Esses castanhos cativam-me imenso! Nunca vi tantos flamingos juntos, sem dúvida que é impressionante.

    Mundo Indefinido

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    1. Provei a tarte de maçã e é boa mas para saber se é a melhor, é como dizes: tinha que as provar todas :D

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