Victoria Falls, a maior cortina de queda de água

9.10.16 Rui Quinta 1 Comments


Na fronteira entre Zâmbia e Zimbábue, considerada pela CNN uma das 7 Maravilhas Naturais do Mundo e Património Mundial da UNESCO, Victoria Falls (Cataratas de Vitória) é uma das mais mais visitadas atrações do continente africano. Bastam alguns segundos para perceber por quê, mas é necessário muito mais tempo para aproveitar todas as potencialidades em volta das cataratas, de ambos os lados.



São geralmente más notícias que levam o Zimbábue a ser falado: situação política, crise da moeda, caça ilegal a animais. Tudo isso leva a uma ideia negativa, que nada tem a ver com Victoria Falls.
Com quase dois metros de extensão e 108 metros de altura, as Cataratas de Vitória são a maior cortina de queda de água e o local mais visitado, tanto no Zimbábue como na Zâmbia. São o único conjunto de quedas de água com mais de um quilómetro de extensão e mais de cem metros de altura. 

O explorador David Livingstone terá sido o primeiro europeu a ver as Cataratas, em 1855, batizando-lhes em homenagem à Rainha Vitória, numa altura em que tanto o atual Zimbábue como a Zâmbia pertenciam ao Império Britânico, então como Rodésia do Sul e Rodésia do Norte. Se Livingstone foi o primeiro, hoje não faltam europeus e norte-americanos na região, altamente turística, levando à criação de dois aeroportos, um em cada lado da fronteira.
Para aproveitar ao máximo o interesse turístico, ambos os países criaram estruturas nos seus lados da fronteira (aeroporto, hóteis, parques...). Do lado do Zimbábue existe o Victoria Falls Airport a 20 km das quedas de água e a localidade de Victoria Falls está a uma distância facilmente caminhável do parque (o meu hotel estava a 1 km). Do lado da Zâmbia a localidade chama-se Livingstone, o Livingstone Airport está a 15 km e a vila a 9 km do parque.
As cataratas vêm do rio Zambezi, o quarto mais extenso em África, que nasce na Zâmbia e flui por Angola, Namíbia, Botswana e Zimbábue até desaguar no Índico, na costa de Moçambique. Apesar das quedas de água estarem maioritariamente do lado zambiano da fronteira, os locais de observação dividem-se entre os dois países fronteiriços, cada um com o seu parque natural. As cataratas apenas podem ser observadas a partir desses parques (ou do ar), do lado do Zimbábue a entrada custa $30, do lado da Zâmbia $20. Sim, dólares norte-americanos. O dólar do Zimbábue deixou de existir em 2009 e desde então a moeda utilizada é o dólar norte-americano. Na Zâmbia a moeda oficial é o kwacha mas também são aceites dólares norte-americanos (aqui está outro artigo com várias informações úteis sobre o destino, incluindo a moeda).
É fácil perceber porque a CNN considerou as Cataratas de Vitória uma das 7 Maravilhas Naturais do Mundo. Nenhuma outra queda de água no mundo é tão longa e tão alta! Apesar de depender bastante da época do ano, durante quase todo o ano o caudal no rio é tal que o spray de água que se levanta pode ser vista a vários quilómetros de distância.
O ano pode dividir-se em duas épocas no que toca à apresentação das cataratas: época húmida (janeiro a junho) e época seca (julho a dezembro). Diferentes sites apresentam diferentes delimitações e denominações mas o importante é perceber que não existem limites rígidos no que depende da natureza. Historicamente chove mais de novembro/dezembro até abril, o que permite o caudal do rio aumentar. A época ideal? Depende do que se procura.
Quando o rio está cheio, a cortina de água é mais impressionante, mas a água no ar é tanta que se assemelha a estar debaixo de chuva: são necessários impermeáveis ou guarda-chuvas, as máquinas fotográficas ficam todas molhadas, algumas atividades estão fechadas e a distância de segurança necessária em relação ás quedas é maior (aqui podem ver uma fotografia dessa fase). No final da época seca outubro-novembro/dezembro, o caudal no Zambezi é tão diminuto que apenas nalguns locais a agua cai. Essa é a época a evitar.

Nas restantes, depende do que se procura. Eu fui a meio de agosto, dei cada segundo por bem empregue e recomendaria entre junho e agostorecordando sempre que não sabemos quanto vai chover (ou seja, quanto o rio vai encher), até quando vai encher e quando começará a secar. Em agosto não perdi nenhuma atividade por estar fechada, talvez gostasse de ver ainda mais água a cair, mas talvez não aproveitasse tanto se a água no ar fosse em maior quantidade. No geral, acho que tive sorte com a época.
Vitoria Falls parecem-me praticamente desconhecidas em Portugal, mas muito promovidas nos países do Reino Unido ou da América do Norte. São hoje um destino de luxo e apesar de ser possível visitar de forma mais poupada (como eu fiz), a maior parte das estruturas está pensada para um segmento mais luxuoso: resorts muito caros e preços para as atividades inflacionados.
Devido à procura turística, Vitoria Falls está repleto de agências turísticas que organizam de tudo: saídas para safaris (as game drives), cruzeiros no rio Zambezi, visitas ao Parque Natural de Chobe (no Botsuana, com fronteira a 70 km), passeios de elefante, passeios de helicóptero e muito mais que mostrarei noutros artigos.
Os parques convidam a imensos pontos de observação e todas estas fotos são apenas desde o parque do lado do Zimbábue. De todos esses pontos de vista, o mais avassalador é a Devil's Catarat (Catarata do Diabo), no extremo oeste.

Das coisas mais incríveis e uma das maiores demonstrações de força da natureza que já vi!
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