Skopje – O início da minha viagem pelos Balcãs

28.9.18 Rui Quinta 2 Comentários



Porquê Skopje e porquê a Macedónia? Foram talvez a cidade e o país que visitei de forma mais aleatória até hoje, ou talvez os tenha visitado pelo melhor motivo: simplesmente pela viagem.

O meu objetivo era viajar, olhei para o mapa da Europa e procurei delinear um trajeto onde pudesse, em duas ou três semanas, de mochila às costas, colecionar um bom número de histórias e experiências. A região escolhida foi os Balcãs, para onde são escassas as ligações aéreas com Portugal. Zagreb foi a ponta fácil de achar, mas faltava a outra. Procurando aeroportos, cheguei a Skopje. Três semanas desde Skopje até Zagreb parecia um bom plano e foi isso que inicialmente me levou à capital da Macedónia. Ainda que não fizesse ideia do que visitar na cidade nem no país.   

Um país que nem se chama Macedónia. Chama-se Antiga República Jugoslava da Macedónia (Former Yugoslav Republic of Macedonia, FYRM, no inglês). Independente da Jugoslávia apenas desde 1991, a Grécia só aprovou a entrada deste pequeno país na ONU com o nome provisório mencionado, pois Macedónia é o nome de uma região fronteiriça grega, que se declara sucessora do antigo Reino da Macedónia. E ainda que pareça irrelevante, isso ajuda-nos a começar a conhecer a História, e a História ajuda-nos a compreender o presente. A história de uma região cheia de conflitos e disputas, um emaranhado de povos, culturas e tensões.

De agora em diante, por “Macedónia”, entenda-se que me refiro unicamente ao país.
A Macedónia é um país pobre, ainda que o centro de Skopje (pronuncia-se “Scópia”) o tente ocultar. As margens do Rio Vardar são ocupadas por imponentes edifícios, o estilo é neoclássico, mas a construção é deste século. O objetivo foi dar uma aparência mais clássica e um maior orgulho nacional, numa cidade em grande parte destruída pelo terramoto de 1963. Ou o verdadeiro objetivo foi propaganda e os gastos foram despropositados num país que tem outras carências mais urgentes, apontam os críticos.

Este centro de Skopje está repleto de estátuas. Apesar do destino ser muito pouco turístico, ao longo das próximas semanas, quando falo de Skopje com outros viajantes, são muitos os que mencionam as suas estátuas. É, de facto, desconcertante. Torna-se impossível não dar, pelo menos alguma, razão aos críticos do projeto Skopje 2014.

A arquitetura dos novos edifícios agrada-me quando a encontro, ao nascer do dia, bem como o prazer de ter a cidade (quase) só para mim, mas o que me conquistou em Skopje foi o centro histórico, o Old Bazaar. Foi afetado por terramotos, foi afetados nas duas grandes guerras mundiais, foi alvo de reconstruções, mas parece ainda não ter sido demasiado afetado pela praga dos souvenirs comerciais. Cada vez mais os centros históricos estão repletos de souvenirs iguais, onde só muda o nome da cidade e a figura que junto se apresenta, e toldos de restaurantes patrocinados pelas mesmas marcas. Cada vez mais os centros históricos estão descaracterizados, mas o de Skopje foi uma exceção.

Este Old Bazaar tem mais gentes locais do que turistas, mais comida tradicional do que fast food e mais gente hospitaleira do que sanguessugas-de-turistas. Noutras zonas da cidade também há edifícios em tijolo, inacabados mas habitados - fazem parte de um jovem país e do seu duro percurso.

Muitos se surpreendiam quando eu dizia que gostei de Skopje e da Macedónia. Eu surpreendi-me quando me diziam o contrário. Mas tudo depende do que se procura. Quem procura o mar quente da Croácia não o vai encontrar na Macedónia. Eu só procurava viajar, e foi o que me levou a começar o dia diante de Alexandre, o Grande, na Praça da Macedónia.

O que visitar
Além do Mercado Antigo (Old Bazaar), e de um passeio junto ao rio Vardar, Skopje tem o Forte (originalmente, Kale) e um vasto leque de museus neste seu renovado centro: Museu Arqueológico da Macedónia, Museu da Cidade de Skopje, Museu de Arte Contemporânea e Museu da Luta Macedónia. Acabei por passar mais tempo a percorrer ruas antigas e a entrar em mesquitas do que nesses museus. As mesquitas principais são a Mesquita Mustafa Pasha e a Mesquita Sultão Murat.

A cerca de 30 minutos de viagem de autocarro é possível visitar o Cânion Matka (Matka Canyon em inglês), o que definitivamente recomendo. Apesar do dia nublado que encontrei, é de uma enorme beleza.

Informação para turista
Skopje é uma cidade barata. Porém, como a oferta turística não é muita, os hotéis melhor equipados poderão ter preços inflacionados. Sobre isso não posso falar, mas na generalidade, vão poder almoçar e jantar bem entre os €5-€8, mesmo nas zonas mais turísticas.

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2 comentários:

  1. Parece que em breve República da macedónia do Norte. :) Estás em direito do referendo ou já andaste por aí há alguns dias atrás? Boas viagens.

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