Cidade do Cabo de helicóptero


A Cidade do Cabo tornou-se a minha cidade favorita quando a visitei em 2015, tanto que este ano decidi regressar.

Para diferentes gostos, há diferentes cores, ou neste caso diferentes cidades. Haverá certamente outras mais vibrantes, com mais cultura ou com mais história. Mas no Cabo, quando alguém comenta a beleza da cidade e da região, ninguém fala noutra cidade. Ninguém riposta o quão espetacular é, ninguém mostra desilusão face às expectativas e ninguém se lembra de outra para comparar. Algo quererá dizer.
Um dos meus planos para esta segunda visita era sobrevoar a cidade de helicóptero.

Existem várias companhias a operar tours de helicóptero na Cidade do Cabo e todas estão no Victoria & Albert Waterfront. Podem pesquisar na internet mas creio que não adiantará muito, pois lá estão todas as companhias com os seus stands para reservas. Também podem reservar com antecedência através da internet mas não recomendo. O melhor será reservar no local, em função da metrologia.
Depois da hora marcada, somos levados de buggy para o heliporto, onde estão os aparelhos das diversas companhias.

Cada agência tem vários percursos, sendo que quase todas têm as mesmas opções: um mais curto ao largo da cidade, outro médio que sai da cidade para sul, sobrevoa a Península do Cabo sensivelmente e meio e regressa pelo lado aposto ao que saiu, e um percurso maior que vai até Cape Point e percorre as duas margens da península.
Os preços das agências são bastante semelhantes (geralmente até iguais) e o mínimo de passageiros varia entre 2 e 3.

Das várias opções, a mais barata fica em torno dos R1100-R1500 (ao cambio de hoje, estamos a falar de menos de 100€). As vistas da ponta da península também serão certamente espetaculares desde cima, mas para quem já fez um tour de carro ou vai fazer (eu já tinha feito), creio que não mereça a pena ir para os voos mais caros. A não ser que tenha muito dinheiro par gastar. Mas aí cada um sabe como o faz.

Tudo o que tenho colocado aqui sobre o Cabo, tenho recomendado. Afinal, se não valesse a pena, não trazia para aqui. Mas se tivesse um número limitado de recomendações, esta estaria entre elas. No pódio certamente, juntamente ao passeio do pela Península do Cabo (contado aqui) e as subidas as suas montanhas (que contarei em breve).
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A Robben Island, onde esteve preso Nelson Mandela


Continuando a explorar a Cidade do Cabo e os seus arredores, um dos locais de maior interesse histórico é a Robben Island, onde esteve Nelson Mandela por 18 dos 27 anos que passou preso.

A Robben Island é uma ilha com 3,3 km de comprimento (norte-sul) e 1,9 km de largura (este-oeste), a norte da Cidade do Cabo, que pode ser vista desde a Lion's Head ou a Table Mountain. A visita à ilha é feita através de barco, num dos tours organizados pelo Robben Island Museum, com partida às 9h00, 11h00 ou 13h00, desde o Victoria & Albert Waterfront (no período de verão é adicionado um tour ás 15h00).
A viagem desde o Waterfront até Robben Island demora cerca de meia hora, após a qual os passageiros se dividem por vários autocarros que os levarão em redor da ilha numa visita de aproximadamente três horas, acompanhados durante toda ela por um guia (e no meu autocarro calhou um dos mais divertidos guias que já tive) ao qual se junta um ex-prisioneiro aquando da passagem pelo edifício principal.

Em Robben Island começou a desenhar-se parte daquilo que é hoje a África do Sul - lá estiveram presos três dos quatro presidentes que o país teve no pós-Apartheid.

Na foto de cima está o espaço onde os prisioneiros eram submetidos a trabalhos forçados e a gruta onde se podiam reunir. Uma vez que as conversas estavam proibidas durante o período de trabalhos, foi naquela gruta, único local fora de alcance dos postos de controlo, que vários prisioneiros se encontravam para trocar ideias e planear ao futuro, pelo que a gruta é de certa forma vista como o primeiro parlamento da África do Sul livre. Era também o local utilizado para satisfazer as necessidades fisiológicas, podendo-se imaginar o cheiro no qual se davam as "reuniões".
Passamos pelas várias seções onde estiveram os prisioneiros, as suas celas individuais, as suas histórias contadas em muitas delas, as igrejas católicas, o local de culto para os muçulmanos, a escola primária, a enfermaria e as cartas guardadas.

Após uma paragem na cafetaria, a segunda parte da visita é guiada por um ex-prisioneiro.
Durante os relatos, de quem passou lá os seus piores dias, a atenção não se pode dispersar por algo que não sejam as suas palavras. Conta-nos que um dos seus melhores amigos foi um dos cozinheiros, que apesar de trabalhar para o mesmo Governo que o prendia, era um homem bom. Depois de saber que havia muito tempo o prisioneiro não recebia respostas da sua família e que estas estavam a ser censuradas, disponibilizou a fazer de intermediário. Era ele, o cozinheiro, que enviava e recebia as cartas para a sua família.

Já depois de terminada a visita, num grupo mais pequeno, contou como foi acolhido no Botswana após a libertação. E quando lhe perguntaram o que podiam fazer para o ajudar, pediu armas para regressar ao seu país e "mata-los a todos". Foi difícil, antes de mais, estar em paz interior depois de tudo o que passou.

Concluída a visita ao museu, percorremos a pé o caminho até à porta de entrada, neste caso de saída. E apanhamos o barco de regresso ao Waterfront, na Cidade do Cabo. Daí, fui ver a cidade desde as alturas. Mas isso será para mostrar noutro dia.

Site do museu: www.robben-island.org.za
Informação sobre as visitas: www.robben-island.org.za/tours#visitorinfo

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Península do Cabo, parte 3 - Colónia de Pinguins


Boulders Beach é uma praia na costa Este da Península do Cabo, na localidade de Simon's Town, uma das maiores atrações turísticas da Cidade do Cabo pela colónia de pinguins que lhe dá fama.
Pinguins são geralmente associados a temperaturas extremamente baixas e praias são associadas a sol, tornando-se algo surpreendente encontrar pinguins numa praia tão perto da Cidade do Cabo. Mas eles lá estão. Após percorrer um curto passadiço, lá os encontramos entre a vegetação, deitados numa rocha ou a maior parte na praia.
Os pinguins de Boulders Beach são chamados de Jackass Penguins pelo som que produzem mas também de Pinguins Africanos, para distinguir de outra espécie existente na América do Sul que faz um barulho semelhante. E vê-los ali é realmente uma experiência imperdível. São animais que, mesmo que não façam nada, fazem tudo com uma desajeitada elegância.
E parecem vaidosos. Sempre a olhar sobre si...
E com olhar desconfiado...
Depois abrem os braços, andam por lá, com o seu jeito desengonçado e ternurento, e param. Olham para os dois lados, parecem sempre desconfiados. E retornam a caminhada.
Já me perguntaram se é possível chegar próximo. Sim, muito próximo apesar de estarmos num passadiço de madeira e não com os pés na areia. Enquanto lá estive não vi ninguém tocar nos pinguins, mas creio que é uma questão de respeito, por eles que estão no seu habitat.

A visita a Simon's Town está incluída em todos os roteiros pela peninsula, apesar do acesso à colónia de Boulders Beach (60 rands) ser pago à parte. Seja numa visita organizada por alguma das muitas companhias que o fazem ou por via própria, a visita aos pinguins é uma das melhores opções para quem está de visita à Cidade do Cabo e que recomendo a todos. De uma natureza imperdível!