Subida a Table Mountain (vídeo)

Apanhei o avião de Joanesburgo para a Cidade do Cabo e fui para o sopé da Table Mountain. Daí subi por um lado, andei por lá e desci por outro lado. No total foram quase 6 horas, nas últimas 3 horas não vi ninguém e quando dei conta, em vez de um trilho, estava a descer por uma cascata. Aqui está o vídeo.


Em breve, artigo e fotografias desta experiência.



Subida a Lion's Head (vídeo)

No seguimento do artigo anterior Subida a Lion's Head, Cidade do Cabo, partilho hoje o vídeo.


Subida a Lion's Head, Cidade do Cabo


Em 2015 estive, mais ou menos, na Table Mountain, local mais emblemático da Cidade do Cabo. Mais ou menos porque fui de carro até onde dava e, por idiotice, não percebi que era acessível subir até ao topo (também não vi ninguém a faze-lo).

Para este ano cabiam-me duas possibilidades: ou completar a Table Mountain, ou estrear-me na Lion's Head, segundo mais alto pico da Cidade do Cabo. Optei por essa opção, começando em Signal Hill. Afinal, já conhecia algo das vistas da Table Mountain.

Table Mountain não só é um dos ícones da Cidade do Cabo como tem o ponto mais alto da cidade, a 1085m de altitude. Impressionante considerando que o mal é logo ali. Já a Lion's Head, que também pertence ao Parque Natural Table Mountain, tem o seu ponto mais alto nos 669m, e o seu nome deve-se à semelhança que o pico tem com a cabeça de um leão.

Quando decidi começar a caminhada em Signal Hill, parecia uma boa ideia e coisa para aproximadamente 45 minutos. Realmente foi uma boa ideia porque a vista desde Signal Hill sobre a cidade é muito boa, mas quando cheguei ao início da subida para Lion's Head já tinha mais de 45 minutos de caminho. Com algumas paragens pelo meio para fotografar, é certo.

Comecei a aventura sem fazer grande ideia do que viria a encontrar, além de supor que a vista final seria boa. Limitei-me a seguir sempre pelo trilho que me parecia mais correto, ou seja, o que parecia ir mais próximo da direção do cume. E de Signal Hill até à base da Lion's Head apenas encontrei um grupo em visita guiada e talvez dois grupos de duas ou três pessoas cada.

O caminho é todo ele espetacular, sempre sobre a cidade, sem qualquer obstáculo pela frente, e quanto mais nos aproximamos, mais incrível parece. É pura rocha e parece que apenas nos aproximamos na horizontal, mas não subimos nada: cada vez parece mais a pique.
Se tivesse errado na previsão da duração mas fosse só isso, estava tranquilo. Mas nem as sapatilhas eram adequadas, nem as calças, estava calor, não havia qualquer sombra e eu de mochila ás costas. A partir do momento que comecei a cruzar-me com pessoas, percebi que havia três tipos: os locais, com equipamento desportivo; os turistas de países frios que andam sempre de calções; os outros de calças de jeans completamente despropositadas (como eu). E pelo meio, devido ao vento (e alguma falta de cuidado), o tripé caiu e a lente riscou-se bastante. Primeiro fiquei frustrado como nunca, depois de alguns testes não via problemas nas fotografias e passou um pouco, depois foi passando, porque não havia volta a dar - apenas em algumas das fotos tiradas em Lion's Head se notam os danos, mas noutros cenários, com outras iluminações, em céu azul por exemplo, nota-se demasiado e a lente já foi por isso substituída por uma nova.
Do pouco que tinha pesquisado, sabia que haveria que escalar alguma rocha, isto é, mesmo na vertical, com apoio que algumas pegas de aço, correntes ou escadas. Mas à medida que me aproximava sem subir e que via melhor o cume da rocha, comecei a pensar que não haveria caminho até lá cima.
Creio que as fotos permitem sentir o aproximar. E é aquilo lá em cima.

Apenas na segunda metade, depois de um cruzamento entre dois trilhos, comecei a encontrar mais pessoas, que vinham a descer. Mais tarde percebi porquê. O mais usual é começar a subir pelo lado sul, pois apesar da distância ser a mesma, é o parque de estacionamento mais seguro para deixar o carro e o primeiro para quem vem da cidade. Eu subi pelo lado norte (além do que já tinha andado antes de começar a subir) - no final os trilhos unem-se.
Os trilhos são sempre muito bons e limpos. Também são seguros. Isto é, se alguém se quiser atirar, não há nada a fazer, mas não existe nenhuma zona que seja perigosa por ser estreita ou insuficientemente sólida.
Na parte final, não se pode dizer que é propriamente fácil, obrigando a fazer um pouco de escalada, mas para isso há apoios de metal fixos nas rochas, correntes para auxiliar e escadas. Também por isso não é perigoso: porque tudo está pensado para ajudar. E é assim que, sim, se chega mesmo ao topo.
Mas nessa fase menos fácil, com algumas zonas onde só cabe uma pessoa de cada vez, existem alguns "engarrafamentos", sendo necessário esperar por alguém que demora mais tempo a subir ou algum grupo que vem a descer.
No final, espera-nos um sentimento estremecedor perante a vista. É algo de tremendamente poderoso. E como se não bastasse, era quase por do sol e o vento viria a trazer as nuvens para cobrir a cidade. O sítio mais esplêndido onde já estive.



Cidade do Cabo de helicóptero


A Cidade do Cabo tornou-se a minha cidade favorita quando a visitei em 2015, tanto que este ano decidi regressar.

Para diferentes gostos, há diferentes cores, ou neste caso diferentes cidades. Haverá certamente outras mais vibrantes, com mais cultura ou com mais história. Mas no Cabo, quando alguém comenta a beleza da cidade e da região, ninguém fala noutra cidade. Ninguém riposta o quão espetacular é, ninguém mostra desilusão face às expectativas e ninguém se lembra de outra para comparar. Algo quererá dizer.
Um dos meus planos para esta segunda visita era sobrevoar a cidade de helicóptero.

Existem várias companhias a operar tours de helicóptero na Cidade do Cabo e todas estão no Victoria & Albert Waterfront. Podem pesquisar na internet mas creio que não adiantará muito, pois lá estão todas as companhias com os seus stands para reservas. Também podem reservar com antecedência através da internet mas não recomendo. O melhor será reservar no local, em função da metrologia.
Depois da hora marcada, somos levados de buggy para o heliporto, onde estão os aparelhos das diversas companhias.

Cada agência tem vários percursos, sendo que quase todas têm as mesmas opções: um mais curto ao largo da cidade, outro médio que sai da cidade para sul, sobrevoa a Península do Cabo sensivelmente e meio e regressa pelo lado aposto ao que saiu, e um percurso maior que vai até Cape Point e percorre as duas margens da península.
Os preços das agências são bastante semelhantes (geralmente até iguais) e o mínimo de passageiros varia entre 2 e 3.

Das várias opções, a mais barata fica em torno dos R1100-R1500 (ao cambio de hoje, estamos a falar de menos de 100€). As vistas da ponta da península também serão certamente espetaculares desde cima, mas para quem já fez um tour de carro ou vai fazer (eu já tinha feito), creio que não mereça a pena ir para os voos mais caros. A não ser que tenha muito dinheiro par gastar. Mas aí cada um sabe como o faz.

Tudo o que tenho colocado aqui sobre o Cabo, tenho recomendado. Afinal, se não valesse a pena, não trazia para aqui. Mas se tivesse um número limitado de recomendações, esta estaria entre elas. No pódio certamente, juntamente ao passeio do pela Península do Cabo (contado aqui) e as subidas as suas montanhas (que contarei em breve).
Mais posts sobre a Cidade do Cabo aqui.

A Robben Island, onde esteve preso Nelson Mandela


Continuando a explorar a Cidade do Cabo e os seus arredores, um dos locais de maior interesse histórico é a Robben Island, onde esteve Nelson Mandela por 18 dos 27 anos que passou preso.

A Robben Island é uma ilha com 3,3 km de comprimento (norte-sul) e 1,9 km de largura (este-oeste), a norte da Cidade do Cabo, que pode ser vista desde a Lion's Head ou a Table Mountain. A visita à ilha é feita através de barco, num dos tours organizados pelo Robben Island Museum, com partida às 9h00, 11h00 ou 13h00, desde o Victoria & Albert Waterfront (no período de verão é adicionado um tour ás 15h00).
A viagem desde o Waterfront até Robben Island demora cerca de meia hora, após a qual os passageiros se dividem por vários autocarros que os levarão em redor da ilha numa visita de aproximadamente três horas, acompanhados durante toda ela por um guia (e no meu autocarro calhou um dos mais divertidos guias que já tive) ao qual se junta um ex-prisioneiro aquando da passagem pelo edifício principal.

Em Robben Island começou a desenhar-se parte daquilo que é hoje a África do Sul - lá estiveram presos três dos quatro presidentes que o país teve no pós-Apartheid.

Na foto de cima está o espaço onde os prisioneiros eram submetidos a trabalhos forçados e a gruta onde se podiam reunir. Uma vez que as conversas estavam proibidas durante o período de trabalhos, foi naquela gruta, único local fora de alcance dos postos de controlo, que vários prisioneiros se encontravam para trocar ideias e planear ao futuro, pelo que a gruta é de certa forma vista como o primeiro parlamento da África do Sul livre. Era também o local utilizado para satisfazer as necessidades fisiológicas, podendo-se imaginar o cheiro no qual se davam as "reuniões".
Passamos pelas várias seções onde estiveram os prisioneiros, as suas celas individuais, as suas histórias contadas em muitas delas, as igrejas católicas, o local de culto para os muçulmanos, a escola primária, a enfermaria e as cartas guardadas.

Após uma paragem na cafetaria, a segunda parte da visita é guiada por um ex-prisioneiro.
Durante os relatos, de quem passou lá os seus piores dias, a atenção não se pode dispersar por algo que não sejam as suas palavras. Conta-nos que um dos seus melhores amigos foi um dos cozinheiros, que apesar de trabalhar para o mesmo Governo que o prendia, era um homem bom. Depois de saber que havia muito tempo o prisioneiro não recebia respostas da sua família e que estas estavam a ser censuradas, disponibilizou a fazer de intermediário. Era ele, o cozinheiro, que enviava e recebia as cartas para a sua família.

Já depois de terminada a visita, num grupo mais pequeno, contou como foi acolhido no Botswana após a libertação. E quando lhe perguntaram o que podiam fazer para o ajudar, pediu armas para regressar ao seu país e "mata-los a todos". Foi difícil, antes de mais, estar em paz interior depois de tudo o que passou.

Concluída a visita ao museu, percorremos a pé o caminho até à porta de entrada, neste caso de saída. E apanhamos o barco de regresso ao Waterfront, na Cidade do Cabo. Daí, fui ver a cidade desde as alturas. Mas isso será para mostrar noutro dia.

Site do museu: www.robben-island.org.za
Informação sobre as visitas: www.robben-island.org.za/tours#visitorinfo

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